sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ano pós eleição, novos rumos. Entender um pouco sobre a ética kantiana pode contribuir para que cada pessoa haja de acordo a princípios fundamentais da ética.

A ética de Kant

James Rachels


Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e obrigações. Chamou a este princípio “imperativo categórico”. Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:
Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal. 
No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico. Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral essencial afirma o seguinte:
Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.
Os estudiosos têm-se perguntado desde então por que razão pensava Kant que estas duas regras são equivalentes. Parecem exprimir concepções morais diferentes. Serão, como Kant pensava aparentemente, duas versões da mesma ideia básica, ou são simplesmente ideias diferentes? Não nos vamos deter nesta questão. Vamos, em vez disso, concentrar-nos na crença de Kant de que a moralidade exige que tratemos as pessoas “sempre como um fim e nunca apenas como um meio”. O que significa exactamente isto, e que razão há para pensar que é verdade?
Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos “está acima de qualquer preço” não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objectivo sobre o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois factos importantes sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.
Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objectivos, as outras coisas têm valorpara elas em relação aos seus projectos. As meras “coisas” (e isto inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos e objectivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins humanos que lhesdão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objectivos o livro não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal desejo o carro não tem valor.
Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm “um valor intrínseco, isto é, dignidade”, porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios objectivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão, os seres racionais são a encarnação da lei moral em si. A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo. Isto, pensava Kant, é a única coisa com “valor moral”. Assim, se não existissem seres racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.
Não faz sentido, portanto, encarar os seres racionais apenas como um tipo de coisa valiosa entre outras. Eles são os seres para quem as meras “coisa” têm valor, e são os seres cujas acções conscientes têm valor moral. Kant conclui, pois, que o seu valor tem de ser absoluto, e não comparável com o valor de qualquer outra coisa.
Se o seu valor está “acima de qualquer preço”, segue-se que os seres racionais têm de ser tratados “sempre como um fim e nunca apenas como um meio”. Isto significa, a um nível muito superficial, que temos o dever estrito de beneficência relativamente às outras pessoas: temos de lutar para promover o seu bem-estar; temos de respeitar os seus direitos, evitar fazer-lhes mal, e, em geral, “empenhar-nos, tanto quanto possível, em promover a realização dos fins dos outros”.
Mas a ideia de Kant tem também uma implicação um tanto ou quanto mais profunda. Os seres de que estamos a falar são racionais, e “tratá-los como fins em si” significarespeitar a sua racionalidade. Assim, nunca podemos manipular as pessoas, ou usá-las, para alcançar os nossos objectivos, por melhores que esses objectivos possam ser. Kant dá o seguinte exemplo, semelhante a outro que utiliza para ilustrar a primeira versão do seu imperativo categórico: suponha que precisa de dinheiro e quer um empréstimo, mas sabe que não será capaz de devolvê-lo. Em desespero, pondera fazer uma falsa promessa de pagamento de maneira a levar um amigo a emprestar-lhe o dinheiro. Poderá fazer isso? Talvez precise do dinheiro para um propósito meritório — tão bom, na verdade, que poderia convencer-se a si mesmo de que a mentira seria justificada. No entanto, se mentisse ao seu amigo, estaria apenas a manipulá-lo e a usá-lo “como um meio”.
Por outro lado, como seria tratar o seu amigo “como um fim”? Suponha que dizia a verdade, que precisava do dinheiro para um certo objectivo mas não seria capaz de devolvê-lo. O seu amigo poderia, então, tomar uma decisão sobre o empréstimo. Poderia exercer os seus próprios poderes racionais, consultar os seus próprios valores e desejos, e fazer uma escolha livre e autónoma. Se decidisse de facto emprestar o dinheiro para o objectivo declarado, estaria a escolher fazer seu esse objectivo. Dessa forma, o leitor não estaria a usá-lo como um meio para alcançar o seu objectivo, pois seria agora igualmente o objectivo dele. É isto que Kant queria dizer quando afirmou que “os seres racionais […] têm sempre de ser estimados simultaneamente como fins, isto é, somente como seres que têm de poder conter em si a finalidade da acção”.
A concepção kantiana da dignidade humana não é fácil de entender; é provavelmente a noção mais difícil discutida neste livro. Precisamos de encontrar uma forma de tornar a ideia mais clara. Para isso, analisaremos com algum detalhe uma das suas aplicações mais importantes. Isto pode ser bem melhor do que uma discussão teórica árida. Kant pensava que se tomarmos a sério a ideia da dignidade humana seremos capazes de entender a prática da punição de crimes de uma forma nova e reveladora. O resto deste capítulo será dedicado a um exame deste exemplo.
James Rachels
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Excerto retirado de Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels (Lisboa: Gradiva, 2004)



Disponível em:  http://criticanarede.com/fa_13excerto.html

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

8 DICAS DE MEMORIZAÇÃO!

1. LER E OUVIR NÃO SÃO SUFICIENTES
Você precisa viver o assunto, debatê-lo, ensiná-lo a outras pessoas, praticá-lo.
2. ACHE UM CAMINHO INTERESSANTE
Você se lembrará mais facilmente do que lhe interessa mais. Se você pensa "é difícil", você está programando seu cérebro para não aprender. Se uma matéria é menos interessante a você, busque um recorte ou caminho que lhe traga mais apelo.
3. CONCENTRE-SE
Na hora do estudo, desligue celulares, redes sociais e outras distrações. A cada página lida, faça perguntas sobre algum ponto importante que você acabou de ver ou ler.
4. LEMBRETES E ANOTAÇÕES
Estude, estude de novo depois de uma hora e estude novamente depois de umas 24 horas. Isso aumenta a chance de retenção da informação. Você pode, por exemplo, fazer questões da matéria que você estudou no dia anterior. Além disso, revise a matéria com frequência. Faça resumos, rabisque os livros e crie mapas mentais (esquemas visuais bem coloridos) que favoreçam a revisão rápida e constante da matéria.
5. DESCANSE
Faça pequenas pausas durante o estudo e reserve um bom tempo ao final do dia para descansar e dormir bem. Evite estudar uma mesma matéria por blocos maiores que 45 minutos. Dê uma pausa de 10 a 15 minutos e recomece a matéria, ou, de preferência, estude uma nova matéria.
6. ESTUDE MAIS ANTES DE DORMIR OU AO SE LEVANTAR
Teoricamente, são os melhores horários para estudar e reter conteúdos, em razão de substâncias químicas liberadas pelo cérebro nesses momentos.
7. FAÇA CONEXÕES CONSTANTES
Compare o que você aprendeu com informações da vida, de outras matérias, de casos práticos etc. Relacione o que você aprendeu recentemente com algo mais familiar.
8. REFLITA SOBRE O QUE APRENDEU
Guarde cerca de 10 minutos por hora para refletir sobre o que você acabou de aprender. Faça perguntas e responda-as. Faça exercícios do livro ou de outras fontes. Imagine como a matéria pode ser cobrada. Dê uma repassada pelas partes que você grifou. Tente resumir (mentalmente ou no caderno) os pontos mais importantes do que você acabou de ver.

Fonte: https://www.facebook.com/PortuguesOficial/photos/a.298269003671300.1073741828.296643007167233/427107734120759/?type=1&theater
ENTENDENDO OS PORQUÊS


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Consumismo e Filosofia

Melise Chagas*              



Michel Foucault, filósofo e psicanalista francês, denomina "instituições de sequestro" alguns setores da sociedade que têm o objetivo decontrolar as poessoas como as escolas e as prisões, por exemplo. Hoje, percebe-se que os shoppings centers também podem ser enquadrados nesse conceito por alienar as pessoas ao consumismo, que por sua vez gera efeitos sociais e ambientais.
Pela sua análise históra, o consumismo remota da Revolução Industrial com o surgimento da produção de larga escala. O sucesso nas vendas deve-se muito ao caráter alienante das propagandas do tipo "aproveite o melhor que a vida tem a oferecer", introduzindo um valor meramente material ao mundo. A partir disso, fica evidente os efeitos sociais que provêm desseconsumismo: a exclusão da camada mais pobre. Esse extrato da sociedade tem poucos recursos que, muitas vezes, só atendem às necessidades básicas enquanto que outra parcela mais abastada compra produtos supérfluos apenas pela ideia a eles associadas, ideia essa de felicidade e realização pessoal.
Além dos problemas sociais, o consumismo exagerado desencadeia problemas ambientais. A música "The 3 R'S' de Jack Johnson retrata essa problemática ao estabelecer uma relação entre o consumismo e a quantidade de lixo produzido. Esse lixo, se não encaminhado a um aterro sanitário, pode contaminar manancias, o solo e causar a morte de animais aquáticos. Ademais, muitas indústrias lançam poluentes no ar atmosférico, prejudicando a saúde da população e agravando o aquecimento global. Nesse contexto, apesar de medidas como a assinatura do Protocolo de Kyoto que tenta minimizar alguns problemas ambientais, essas ainda são incipientes.
Nessa perspectiva, os indivíduos inseridos na sociedade de consumo, muitas vezes, estipulam um valor exagerado aos bens materiais e ficam alienados no que diz respeito aos aspectos socais e ambientais. Dessa forma, somente os mais críticos conseguem perceber que os shoppings e as propagandas também são "instituições de sequestro", como afirmava Foucault. Essas, porém, são mais sutis do que as escolas e prisões.

*Aluna de Redação de Carla Mano

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O CÉREBRO ACEITA TUDO

O Cérebro aceita tudo!                         
                                                                           * Ana Lucia Cervi Prado




“Quer você acredite que pode fazer uma coisa, ou acredite que não pode, você está certo”, já dizia Shakespeare. Longe de todo o aparato tecnológico, com a experiência de vida , Shakespeare já sabia por verdade o que hoje a ciência prova através de pesquisas científicas : a todo o momento mandamos mensagens ao nosso sistema nervoso. Quando essas mensagens se repetem, o sistema nervoso avisa o cérebro que passa a produzir o resultado abrindo as possibilidades para que tudo aconteça conforme estejamos pensando. Ora vejam! Então é bom que comecemos a pensar sobre o que estamos pensando, sobre o que costumamos pensar ou sobre como não costumamos pensar a respeito de qualquer coisa! Se nosso cérebro aceita tudo, precisamos começar a pensar sobre nossas crenças, sobre nossos valores. São eles fontes de mensagens que viajam continuamente pelo nosso sistema nervoso e colocam o nosso cérebro em prontidão para produzir ações capazes de criar um determinado resultado. Tudo isso acontece com ou sem a nossa participação. Qual opção você prefere? Fazer parte da construção de sua vida e responsabilizar-se por ela, ou acreditar na estrofe daquela música que diz: “deixe a vida me levar, vida leva eu...”? Veja que só há uma condição: a de sua escolha, e essa é a boa notícia! Sua vida não depende de circunstâncias, de situações momentâneas, mas sim daquilo em que você acredita, e, sobretudo, daquilo que você faz. As crenças e as ações geram representações baseadas na interpretação individual das experiências vividas. Então, de acordo com suas representações, você poderá ganhar ou perder, dependendo se elas fortalecem ou impõem limites. As representações são as fontes de recursos para produzir ações que levam à vitória ou à derrota. Basta então que representemos coisas boas para nós repetidamente até impressionarmos nosso cérebro que obedientemente nos colocará em um estado de recurso capaz de nos mobilizar em direção ao resultado desejado. Simples assim, mas não fácil. Não depende de sua crença, depende de treino.



*Professora Dra. em Ciências da Saúde

Consultora Mano a Mano Cursos



www.manoamanocursos.com.br